segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Utilizando o papel como elemento predominante da imagem

Materiais e ferramentas utilizados na confecção da imagem
Existem inúmeros tipos de papéis, com cores, texturas e gramaturas diferentes. Uns para materiais específicos e outros para os mais diversos fins. Um deles é o papel kraft. Papel bastante resistente que visualmente poderemos usar a nosso favor nas composições onde os tons ocre são predominantes.

Recentemente fiz um desenho da Vixen (personagem da Liga da Justiça) cujo kraft foi excelente na composição! Além de auxiliar nas cores em geral, contribuiu bastante para a temática africana da personagem. Utilizei vários materiais e técnicas de desenho para assim obter resultado visual que almejava. Diferente de outras versões dela que pesquisei, eu evidenciei suas características africanas no rosto.


Papel kraft é composto de fibra de celulose de polpa de madeiras macias. Sua característica é rústica por conservar as cores e fibras naturais. Este papel é base para produção de caixas, sacolas e embalagens em geral.  Algumas de sua características a considerar para uso deste papel pra desenhar são:

1. Textura áspera o que é bom na fixação de alguns materiais secos porém, de baixa fixação para outros; exige força para alcançar determinados tons fortes.

2. Possui forte textura o que pode ser positivo ou negativo para o desenho dependendo do resultado visual que almeja.

3. Tolerância média para materiais aguados como aquarela e nanquim.



Vixen é personagem da editora DC Comics que participou do Esquadrão Suicida e atualmente está na Liga da Justiça. De origem africana radicada nos Estados Unidos, Vixen invoca os poderes do toten do guerreiro Tantu que é passado de geração pra geração e ela o utiliza para estabelecer a ordem e a paz.



Estas imagens a seguir foram selecionadas como referências do estudo da personagem e composição; não fixei em nenhum padrão de uma imagem ou da outra  por haver variações sigificativas. Criei um que seleciona particularidades de sua origem e focando na personalidade que ela representa.

1ª Fase: Desenhando com grafite:



Sobre a folha de papel kraft tamanho A3 com gramatura de 200 g/m², esbocei a personagem numa posição de ataque para explorar a dinâmica. Deixei-a em primeiro plano ocupando toda a cena. Utilizei lapiseira Pentel 0.7, borracha branca  da Mercur.  Para colorir optei por lápis de cor da marca Faber-Castell. Como falei anteriormente, para alguns materiais secos  a aspereza do kraft não é bom.Um deles é o grafite, que não fixa bem. É excelente para esboçar e apagar. Por isso fiz uma arte final com canetas nanquim. Assim as linhas gerais do desenho permanecerão nítidas.




2ª Fase: arte final com canetas nanquim:

Canetas nanquim descartáveis tem na sua constituição um pouco a mais de álcool e o preto não fica tão preto sobre o papel kraft. Diferente do grafite, canetas nanquim fixa muito bem, porém sua nitidez é pouca. Usei canetas nanquim de ponta porosa da Steadtler de diversas espessuras e no padrão: detalhes e linhas internas pontas mais finas e contornos e linhas externas  pontas mais grossas.
Estas canetas são de ponta porosa e descartáveis. Há canetas nanquim recarregáveis porém, com pontas de metal que requer certo domínio técnico para utilizá-las. São chamadas canetas´para desenho técnico. Sua ponta é de metal o que obriga o desenhista a ter traço leve.

3ª Fase: Aplicando aquarela:
1ª REGRA DE OURO:
Teste os materiais antes de aplicar na imagem. Evite o arrependimento.
2ª REGRA DE OURO:
Faça primeiro o cenário antes de fazer a figura! Principalmente se for materiais aguados. Para aquarela e guache preencha as formas antes de fazer os contornos.
Como a proposta é utilizar o papel na composição, a paleta escolhida e a personagem reduzirá e muito a busca pelos tons. Para a área que representa o céu apliquei camadas de aquarela no tom amarelo palha que criei acrescentando branco ao ocre. Para as áreas de terra (montes, plantas, animais e planície) apliquei camadas de marrom sépia que crie misturando marrom e preto.

Usei pincéis da marca Tigre, série Pictore, referência 182 e de números 06, 12  e  24.

Você já se perguntou por que aquarela é um material de desenho e não de pintura? Porque seu princípio técnico é o mesmo do desenho: sobreposição de camadas. Quanto mais camadas, mais forte ficará o tom. Porém, para que seu efeito seja notório, espere secar bem uma camada antes de aplicar a segunda e assim sucessivamente. Para criar a ilusão de profundidade, apliquei tons mais claros próximo ao céu e mais escuros próximo a personagem.
Portanto, ao escolher o material aquarela para seus desenhos, aplique uma camada de aquarela no tom escolhido em toda a superfície de maneira uniforme e espere secar totalmente. Após secagem, aplique nova camada de maneira uniforme apenas onde pretendes que os tons fiquem mais escuros. Espere secar novamente esta segunda camada. E aplique sucetivamente, respeitando os intervalos de secagem, para atingir os tons e criar efeitos de volume, luz e sombra no desenho.

4ª Fase: lápis de cor

Etapa que somente a pele está colorida


Comecei pela pele morena de nossa personagem; o tom do papel kraft auxiliou bastante no alcance dos tons que eu almejava.  Utilizei o lápis de cor marrom de número 076 como cor base. Onde era mais claro, apliquei menos camadas; onde a sombra natural era mais forte, apliquei mais camadas. Para suavizar a textura do papel usei o amarelo ocre, lápis de número 083 (cor muito semelhante a do papel) Para as sombras projetadas usei o lápis de número 075. Para ‘pesar’ as sombras, apliquei lápis preto 099. 
Apliquei camadas suaves para não exceder o tom de pele que almejava. Fui intercalando camadas do marrom base com outros tons; os mais claros nas zonas de luz e os mais escuros nas zonas de sombra natural e sombra projetada da figura. 
Aplique lápis de cor branco nos olhos e acessórios. O que dá um efeito muito bom sobre o papel kraft. Na coloração dos lábios utilizei lápis de tons laranja de número 009 e 013. Para  roupa, usei os mesmos lápis acrescidos de amarelo ocre 083, amarelo ouro 007, marrom 075 e preto 099. Aplicando a técnica de sobreposição de camadas, na base escolhi o laranja 009; para sombra natural usei o laranja 013 e sombras projetadas o marrom 075.  Semelhante ao lápis grafite, o lápis de cor não fixa facilmente; requer uso de força para atingir alguns tons. Os brincos, pingente e zipper, eu colori com aquarela de maneira uniforme e fiz a variação de tons aplicando lápis de cor amarelo 007, criando efeito de brilho e volume. 
Para as áreas onde a sombra faz-se mais presente do que a luz modifiquei o processo de coloração com lápis de cor. Comecei pelas sombras usando o marrom 075. Obedecendo a volumetria e direção da luz. 
Detalhe das camadas de lápis de cor e tons de coloração
Após isto, apliquei a cor base escolhida: laranja 009 com determinada força para atingir o tom que buscava.
E por último apliquei ocre 083 na parte mais clara e preto 099 para acentuar os extremos das sombras. 
Imagem após aplicação do lápis de cor

5ª Fase: retocando o nanquim

Como eu disse anteriormente, as canetas nanquim fixam bem, mas sua intensidade é baixa. Assim, é necessário aplicar mais nanquim.
 Ao lado da caneta, está o nanquim aplicado com canetas sobre o papel kraft.
Ao lado do pincel o nanquim aplicado com o pincel sobre o papel kraft.
Para retocar o nanquim, usei pincel da marca Condor nº 02 referência 422. Este pincel é muito bom para delinear e escrever por possui pêlo longo.
Eu utilizo nanquim profissional da Steadtler apesar do pote apresentar outra marca. (nanquim profissional da Steadtler  sua embalagem é uma bisnaga e eu prefiro utilizar o nanquim num pote  porque  é mais fácil e evita o desperdício).
Onde há necessidade de uma linha uniforme como as das canetas nanquim mas é necessário nanquim liquido, usei bicos de pena da marca britânica Leonardt 63.5 .  Esta tem a ponta curva como uma meia lua, muito boa para a escrita e seu traço é macio. Agradável de usar. 
Há vários tipos de pontas para bicos de pena que poderemos obter diversas linhas e expressões. Eu possuo uma haste onde encaixo a pena mais adequada para o resultado visual que busco.
Hastes e penas da Leonardt England

6ª Fase: finalizando com verniz.
Depois de finalizado o desenho, esperei secar para aplicar verniz, para melhor conservação e total fixação do lápis de cor.
Eu utilizo o verniz  fixador em spray da Acrilex Fosco – Mate  10972. Muito cuidado ao aplicá-lo! É tóxico e inflamável.

Vixen - desenho com técnicas mistas sobre papel kraft



Espero que tenham gostado e aprendido um pouco sobre desenho e suas diversas técnicas e materiais!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

AGOSTO PRA TUDO 2012

Caros seguidores,

Primeiramente, perdoe-me o sumiço.

Porém, volto agora com uma novidade que me deixa muito alegre. Mais uma participação no evento Agosto Pra Tudo da República dos Quadrinhos!

É uma história em quadrinhos curta que se chama Blue Hair.


Blue Hair nasceu despretensiosa; era apenas uma jovem de cabelos longos desenhada por Izaac Brito cujo cenário foi criado por Alberto Pessoa num sketchbook. E os dois começaram a imaginar a história daquela jovem de longos cabelos azuis. E seguiram desenhando em cada página do sketchbook, os quadros de outros momentos desta história.

A história parou pela semelhança com Enrolados, animação da Disney, pela verosimilhança das histórias com a da Rapunzel. Mas Blue Hair era diferente: ela não estava presa numa torre apenas a espera de um príncipe encantado. Ela tem personalidade, ela tem um ideal.

Depois de finalizada, Blue Hair chegou as minhas mãos, para ser colorida. Com lápis de cor, comecei a preencher os quadros com a temática e, posteriormente, após tomar conhecimento do enredo, desenvolvi o diálogo e apliquei os balões, seguindo a proposta de Izaac Brito e Alberto Pessoa.

E Américo Gomes, desenvolveu arte para a capa unindo todos os elementos da narrativa.

Eis Blue Hair.

Uma princesa moderna que busca seu ideal além de um mero romance. Com a determinação das novas mulheres, das princesas moderna.

Blue Hair traz um questão: até onde está o limite entre determinação e teimosia? Onde está a liberdade de escolha e a prisão de nossas idéias?

Estas questões cada leitor deve responder.

Tenha uma breve e agradável leitura.

Link para leitura on line na issuu.com:

http://issuu.com/palomadiniz/docs/blue_hair_pdf


Link no site da República dos Quadrinho:

http://rquadrinhos.blogspot.com.br/2012/08/agosto-pra-tudo-2-blue-hair.html


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Jonas Trindade. Profissão: Arte Finalista. (porque alguém tem que terminar o desenho)

Publicado anteriormente no Farrazine #25.

          Posso falar com conhecimento de causa: apesar de ter feito apenas 02 testes, posso afirmar: ser arte finalista é complicado! PUTA QUE PARIU! Esse negócio de que ser arte finalista é fácil, basta apenas cobrir de preto os desenhos... Isto é uma das maiores inverdades que conheço. E outro detalhe: ser arte finalista é uma etapa necessária na produção dos quadrinhos periódicos, cujos profissionais não são devidamente reconhecido do ponto de vista do mérito profissional e pouco conhecidos pela população em geral. Analisando o processo, arte final é tão necessária como a função do argumentista, roteirista, desenhista, colorista, balonista e letreirista (e colocar letreiro e balão é outro ofício desvalorizado).
            Enfim... Em defesa dos artes finalistas, convidei para uma entrevista Jonas Trindade atualmente agencia do pela Space Goat que trabalha neste ofício.

Paloma Diniz: Tudo bem, Jonas?
Jonas Trindade: opa \o/
PD: Antes de quaisquer outras perguntas, por favor, fale sobre o processo de arte final.
JT: Bem o processo em si começar, pelo menos para mim, de duas formas: ou imprimindo a página, ou fazendo sobre o original a lápis; feito isso, eu analiso todas as páginas e antes mesmo de finalizá-la - eu já faço isso mentalmente – eu estudo qual a melhor forma de separar os planos, como trabalhar as texturas, aonde eu posso acrescentar algo do meu desenho porque arte finalista tem que saber desenhar; um arte finalista de destaque é um desenhista também. Depois de toda a análise, eu escolho qual ferramenta usar: pincel, bico de pena, caneta nanquim descartável ou até mesmo caneta técnica.

Desenho de Allan Jeff com arte final de Jonas Trindade
Depois de feita a página eu digitalizo ela em três (03) partes isso se for um A3 inteiro se for separada em partes de A4. Isso ocorre quase sempre porque geralmente eu imprimo as páginas, eu faço toda a parte de ajuste no photoshop. Primeiro eu monto a página, depois limpo o canal da cor que foi impressa a página; eu uso azul como cor base pra imprimir o lápis, ah sim! Importante: sempre que recebo o arquivo eu passo ele de cinza para azul, bem feito to do processo do scan, eu ajusto os níveis da página e deixo as linhas com mais texturas; passo para o formato bitmap e salvo em Tiff zipado para ser enviado para o colorista. O arquivo em TIFF zipado permite reduzir o peso do arquivo sem interferir na qualidade do mesmo; eu faço todos os meus scans com 600 dpis de resolução, salvo nesse formato primeiro o que chamamos de arquivo em alta e depois eu passo pra tons de cinza e salva em JPEG bem leve o que chamamos arquivo em baixa que vai para o editor aprovar. Nunca mandem arquivos gigantes para o editor aprovar.
Página teste de arte final de Jonas Trindade para Birds of Prey

PD: Como você se tornou arte finalista?
JT: Bem, foi engraçado, pois estudei como Guilherme Balbi, meu amigo e desenhista de quadrinhos; nessa época vi meu professor arte finalizar um desenho e fui fisgado, parei e falei vou ser “inker”; meus primeiros traços com pincel foram sobre desenhos do Balbi nessa época isso em 2004. Depois disso fui aprimorando minha técnica; hoje eu sei usar praticamente de tudo para fazer arte final.
PD: Eu já escutei comentários afirmando que a profissão de arte finalista estava se extinguindo. Qual a sua opinião sobre esta afirmação?
JT: olha é quase que impossível a profissão acabar, mesmo porque nem todos os desenhistas sabem fazer um lápis limpo e certinho, hoje a muitos recursos como fazer a arte final digital ou tentar escurecer o traço, mas mesmo assim é inferior ao bom e velho pincel, é claro se você souber usar uma mesa gráfica bem conseguirá finalizar como se estivesse usando um pincel, mas acabar não eu duvido, pode haver novas formas de se finalizar o desenho, mas sumir nunca.
A esquerda, página do Hulk  apenas no lápis, e a direitas, arte finalizada por Jonas Trindade

PD: Quais são as ferramentas para fazer uma boa arte final?
JT: Primeiro saber desenhar bem; todo arte finalista de destaque sabe desenhar.  Segundo não ter medo de experimentar novas técnicas ser humilde e escutar as boas e, mas críticas e entender que tudo tem sua hora; isso de forma resumida.
PD: Vamos falar um pouco sobre você. Fale sobre Jonas Trindade.
JT: Mineiro da cidade de Contagem próximo a BH, solteiro, 30 anos (risos), arte finalista de Comics, pescador inveterado, de poucas palavras, sempre podendo estende a mão pra ajudar, mas não se enganem como todo bom mineiro e muito desconfiado.
PD: Como foi que você interessou-se pelo universo dos quadrinhos?
JT: foi de moleque com quadrinhos da Monica aliás, todo mundo começa lendo Monica (risos). Depois disso arrumei umas HQs de terror da hora do pesadelo desenhadas pelo Alfredo Alcala, antigo isso... e ai, eu fui me interessando por quadrinhos de super heróis, mas na época eu já lia Raça das Trevas do Clive Baker entre outros tipos de publicação, mas foi bem natural agora migrar de fã pra trabalhar com isso. Foi um pouco mais tarde, quando a Editora Image invadiu o Brasil, e se tinha mais informação de quadrinhos, muitas delas publicadas pela extinta revista Wizard. O bacana é que naquele tempo eu lia uma matéria sobre quadrinistas brasileiros fazendo comics pros EUA; se não me enganou foi na época quero Marcelo Campos entrou nossa achei a notícia fantástica depois vieram Deodato Jr., Roger Cruz e outros mais, mas não se tinha uma estrutura pra iniciar novos artistas.
PD: Cite algumas HQs que você trabalhou e no que você está trabalhando em que quadrinhos atualmente?
JT: Já trabalhei pra revista Elders of Runestone, Red tornado DC Comics, Nick Fury Marvel, Transformers Editora IDW, Teen Titans da DC Comics, entre outras. Atualmente estou trabalhando como Allan Jefferson na HQ Devil is Due in Dreary e vou iniciar um pra Dark Horse.  O da Dark Horse ainda não pode falar.
Trabalho atual de Jonas Trindade juntamente com Allan Jeff

PD: você pretende trabalhar como desenhista? Ou melhorar-se e continuar como arte finalista?
JT: olha tudo dando certo eu viro desenhista (na etapa de criação da história), mas até eu me acertar, eu continuarei com as inks, como meu processo de arte final tá mais adiantado agora, é ir estudando desenho aos poucos.
PD: Você está no FIQ por estes dias? Você encontrou outros arte finalistas?
JT: Eu estive lá todos os dias.  Foi muitoooooooooooooooooo fodaaaaa, conheci muita gente praticamente todos os meus amigos novos da web e mais uma pancada de profissionais da área; só tinha nego foda lá! Poxa Paloma você ia pirar, viu? Encontrei lá meus amigos que trabalham como arte finalistas Eber Ferreira e Julio Ferreira (e olhe que eles não parentes! (risos). Tinha no 7º FIQ, um estúdio ao vivo aonde podíamos ir e trabalhar um pouco mostrar partes do processo pra galera que vinha ao evento poder ver como é feito uma HQ.
Galera reunida no F.I.Q. em Belo Horizonte.

PD: Você tem acompanhado a produção brasileira de quadrinhos?
JT: um pouco; nesta edição do FIQ tinha muitos independentes; inclusive eu recomendo a trilogia, dos meus amigos do Sul. O fanzine Supreme do João Azeitona, Mateus Santo Louco e Walter Pax.
PD: E pra finalizar: sofres do mal que aflige os desenhistas: você tem escoliose?
JT: hahahahaha... Se eu tenho, eu nem sei, viu? Mas as costas doem depois de um tempo trabalhando; preciso me movimentar mais (risos).
Agradecimentos:
À Caroline de Góes pelas belas fotos do FIQ 2011em seu facebook.
A Kare Hedebrand que também postou belas fotos do FIQ 2011 no seu facebook.
Blog do Jonas: http://luqkhyjonas.blogspot.com/
Outra entrevista dele: http://www.multiversodc.com/v2/2008/12/novos-talentos-jonas-trindade/

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Desenhando com Técnicas Mistas:


 Mulher Maravilha



        Após desenhar com lápis grafite uma figura da Mulher Maravilha, personagem da DC Comics, eu finalizei o desenho com canetas nanquim de ponta porosa descartáveis da linha Uni Pin Fine Line da Mitsubishi Pencil CO. LTD nas numerações 05, 03, 01, 005; espessuras estas de pontas mais grossas até pontas mais finas para delinear a figura de uma forma geral usando a variação das pontas das canetas para atingir o efeito visual desejado, deixando as mechas dos cabelos para serem preenchidas com nanquim aguada aplicada com pincel. Eu utilizei tinta nanquim da marca Tintex na cor preta para um preenchimento uniforme e rápido; direcionei as pinceladas para dar volume e movimento ao cabelo da personagem.
            A técnica escolhida para coloração foi lápis de cor, material este que pessoalmente gosto muito de trabalhar. Utilizei, na coloração em geral, lápis de cor da marca Faber-Castell da linha escolar que você encontrará facilmente nas papelarias.
            Comecei a pintura pelos azuis. O cabelo da Mulher Maravilha é negro com brilho que tende a azul; ou seja, o tom de cabelos negros mais escuros que uma pessoa pode ter ou tingir. Trabalhei com lápis de cor com os mesmos movimentos feitos com pincel. Apliquei o princípio básico da volumetria para representar materiais opacos e polidos. Os olhos da personagem também são azuis e os colorir aplicando suaves camadas para dar volume a íris, deixando a parte mais próxima à pálpebra superior mais escura para simular a sombra projetada desta na íris. Utilizei para esta coloração lápis azuis da Faber-Castell de número 051 e 048.
           Na sequencia, trabalhei tons de vermelho e marrom para lábios, estrelas dos acessórios e parte superior do uniforme.
           Em particular para lábios e estrelas dos acessórios, utilizei outros lápis de cor de outra marca chamada Prismacolor que, infelizmente, você não encontrará à venda nas papelarias facilmente. Apenas em lojas especializadas e nos sites de venda de materiais especializados internacionais; até então, no Brasil, encontrei apenas no site Mercado Livre para vender. E você não encontrará aqui, em João Pessoa, para a compra. Utilizei lápis de cor vermelho da Prismacolor Rouge Cramoisi PC924 para o preenchimento e para sombrear Rouge Toscan PC 937. Para as estrelas, preenchi com suaves movimentos circulares até obter o tom desejado e também com movimentos circulares fiz as sombras dando solidez e uniformidade. Para os lábios, preenchi com movimentos em arco para dar volume e adotei o mesmo princípio da luz e sombra dos cabelos, criando assim textura.
       Para a parte superior do uniforme, utilizei três (03) lápis de cor da Faber-Castell: vermelho 021,vermelho 027 e marrom 089. Adotei o princípio da volumetria de objetos opacos e foscos que poderemos observar a transição do claro para o escuro de forma regular e sequenciada (partes claras, cor do objeto, sombra natural, rebatimento luminoso e sombra projetada).  Também com movimentos circulares, eu suavemente preenchi com o vermelho 021 toda a forma; para dar mais densidade à cor, simulando tecido, eu acrescentei mais camadas da mesma cor. Para criar o efeito de sombra natural, acrescentei camadas do vermelho 027 e fazendo a transição do claro para o escuro. Para intensificar a sombra natural e criar a sombra projetada e difusa do braço da figura, acrescentei com movimentos circulares, suaves camadas do marrom 089.
       Na sequencia da coloração, utilizei os lápis de cor amarelo 007, ocre 083 e preto 099 para criar a textura de metal polido dourado. As superfícies metálicas polidas possuem uma luminosidade de forma irregular e não sequenciada, muito diferente dos objetos opacos e foscos. Em todas as partes volumosas há transições de luz e sombra bruscas e em curtos espaços na forma. Sendo esta superfície a simular metal polido, seu rebatimento luminoso será representado de maneira intensa havendo espaços em branco que neste caso, será o branco do papel. Numa chapa de metal reta, poderemos observar que estas transições bruscas tem forma vertical; manuseando o lápis  constantemente na direção vertical, simularemos o mesmo efeito estético.  Para as partes claras, bem próximas aos espaços brancos do papel, apliquei camadas do amarelo 007. Mesclado ao amarelo 007 em direção oposta ao brilho, apliquei o ocre 083. E para simular a sombra apliquei camadas do preto 099, mescladas ao ocre 083, acentuando a intensidade de sua cor e criando uma sombra densa em coerência a luz e sombra que eu escolhi. Em particular para o símbolo que a Mulher Maravilha usa no busto que possui forma circular, eu arqueei as linhas, porém mantive o mesmo princípio de preenchimento do cinturão e da tiara.

          Para o preenchimento das formas que representam a pele, eu utilizei três (03) lápis de cor da Faber-Castell: laranja 013, ocre 083 e marrom 075. Primeiramente, preenchi de maneira uniforme com laranja 013 porque a pele é uma superfície opaca e fosca. Para “quebrar” os tons levemente rosados da cor laranja sobre a superfície do papel branco, aplique suaves camadas de lápis de cor ocre 083. Nas regiões de depressão da forma das partes do corpo, e para acentuar o volume, acrescentei mais camadas do lápis laranja 013 e do lápis ocre 083. Para a sombra natural das partes, apliquei suaves camadas do lápis de cor marrom 075. Para não deixar a figura em meio ao vazio, apliquei de forma aleatória tons de verde com aquarela. Tons estes que transitam de verdes mais azulados a verdes mais amarelados, para complementar os azuis e vermelhos da figura em primeiro plano.
Esta técnica de coloração com lápis de cor e com outros materiais eu ensino no curso de desenho clássico no Studio Made in PB que fica localizado na FUNESC – Fundação Espaço Cultural –  que fica localizado na Rua Abdias Gomes, próximo a Av. Epitácio Pessoa na altura da Florense. Eu leciono nas terças-feiras a tarde das 14:00h às 17:00h para crianças a partir de 10 anos e adolescentes; e nas terças-feiras das 19:00h às 21:00h à noite para adolescentes e adultos. Inscrição e mensalidades R$ 50,00. A duração dependerá do que você quer aprender. Maiores informações, ligue para o telefone (083) 8767-5564.
Espero que tenham gostado.